miércoles, 4 de agosto de 2010

Ah! O Ipê...

Símbolo da humildade sem a subserviência, da vivacidade sem a esperteza, do amor sem o pieguismo, da simplicidade sem o ser simplório, da força sem a brutalidade, da rusticidade sem a prepotência, da prevalência da beleza sobre a banalização da vida, da harmonia e sincronismo sem a menor pretensão de exibicionismo barato, do vigor e da plenitude de quem mesmo se sabendo um dos mais belos seres que existe no mundo não se envergonha de se mostrar desnudo e frágil diante de todos.
Esse é o Ipê! Seja roxo, seja rosa, branco ou amarelo, todos nos emprestam sua beleza, generosidade, exuberância e desprendimento quando florescem e parem (de parir mesmo) algo tão estonteante que materializar em uma única expressão é relativizar o sublime. É como dar caráter peremptório ao que é sazonal e deixar de entender que essa sazonalidade deixa nossos corações repletos de amor e paz até o seu novo parir.
E quantos exemplos e lições podemos tirar de nossos grandes mestres, os Ipês...
Dizer que florescem em momento de frio e seca, ou seja, nos momentos mais difíceis de sua vida é que atingem sua plenitude, é um bom começo. Mas não basta, pois ele nos dá um enorme exemplo de simplicidade, humildade e desprendimento quando suas folhas percebem que para que a beleza de suas flores possa estar límpida e bem visível, cada uma delas vai se sacrificando e entregando suas vidas para que o seu bem maior possa sobreviver sem atropelos e sem interferências. A sua beleza contagia e nos comove na difícil e dolorosa forma de entendermos a vida, pois ela “morre” para que floresça, e enfeita quando morre, preparando-se para o renascimento certo e cada vez mais vívido.
Que será isso afinal? Que mistério é esse?
É a certeza da ressurreição? É a prova indiscutível da existência de um ser maior, divino, supremo? É o milagre da vida nos saltando aos olhos e nos dizendo: Vamos! Você pode!Você consegue! Veja-me. Se eu consigo, você também pode conseguir...
É! É realmente muito difícil definirmos qualquer coisa quando se tenta conversar sobre algo que se alguém não fala e, não fora tão maravilhoso, seria capaz de passar despercebido aos olhos desatentos de quem olha sem ver as coisas, ao ponto de expressar: - Que beleza de árvore, pena que suja muito...
Mas acredito na reverência do Ipê pela vida e a importância que ele dá àquela que lhe sustenta e lhe propicia a vida, pois é a ela que devolve sua mais linda obra e razão de sua existência, suas flores, seus cachos de flores que ao caírem formam o mais belo tapete vivo, morto pelas circunstâncias, mas vivo em sua pujança e na certeza de que tudo valeu a pena.

Obrigado, amigo Ipê, por suas silenciosas lições e por sua magnífica beleza...

Cláudio Santos Réche